"Há em Jerusalém, perto da porta das Ovelhas, um tanque que, em aramaico, é chamado Betesda, tendo cinco entradas em volta. Ali costumava ficar grande número de pessoas doentes e inválidas: cegos, mancos e paralíticos. Eles esperavam um movimento nas águas. De vez em quando descia um anjo do Senhor e agitava as águas. O primeiro que entrasse no tanque, depois de agitada as águas, era curado de qualquer doença que tivesse. Um dos que estavam ali era paralítico fazia trinta e oito anos. Quando o viu deitado e soube que ele vivia naquele estado durante tanto tempo, Jesus lhe perguntou: 'Você quer ser curado?' Disse o paralítico: 'Senhor, não tenho ninguém que me ajude a entrar no tanque quando a água é agitada. Enquanto estou tentando entrar, outro chega antes de mim'. Então Jesus lhe disse: 'Levante-se! Pegue a sua maca e ande'". Jo 5.2-8
"Meritocracia"
"O primeiro que entrasse no tanque". A cura não era para todos. Somente o mais rápido era curado. Somente aquele que estivesse melhor posicionado. Somente aquele que pudesse correr, mesmo que não conseguisse enxergar, ouvir ou falar. Todas as vezes que a água era agitada, o paralítico ficava em desvantagem. Assim é a "meritocracia", serve muito bem para alguns, mas outros simplesmente ficam em desvantagem.
"Paralítico fazia 38 anos"
O Senhor Jesus curou muitas pessoas. Centenas. Segundo João, talvez até milhares (veja Jo 21.25). E a Bíblia não detalha o tempo de debilidade de cada uma dessas pessoas. Este homem, porém, a narrativa Bíblica diz que estava doente a 38 anos. Certamente há uma razão para a Bíblia nos oferecer esse detalhe.
"Você quer ser curado?"
Ao saber o tempo da doença, o Senhor Jesus perguntou àquele homem se ele queria ser curado. E aqui está a grande lição!
O Ser Humano tem uma enorme capacidade de adaptação. Nós nos espalhamos pelo planeta e nos adaptamos a diferentes climas e diferentes tipos de vegetação. Nós aprendemos a viver em regiões montanhosas, aprendemos a enfrentar neve e temperaturas congelantes e aprendemos também a sobreviver nos desertos com temperaturas escaldantes.
E nós nos adaptamos também ao sofrimento e à miséria. Nos adaptamos às deficiências físicas e às privações. Aquilo que nos incomoda e nos faz sofrer, depois de um tempo se torna parte da nossa rotina. Depois de mais um tempo, começa a fazer parte da nossa realidade e até da nossa identidade. E aí nós nos adaptamos e aceitamos aquela condição. Mesmo que seja a miséria.
Será que depois de tantos anos, aquele homem compreendia as implicações de ser curado? Ele teria que reaprender a caminhar. Não poderia mais pedir esmolas e nem depender da generosidade das pessoas. Teria que arranjar um trabalho. Teria que aprender uma profissão. Teria que aprender a conviver com as pessoas, de igual para igual. Teria que superar suas manias, seus costumes e seus traumas. Teria que superar os sentimentos de rejeição e de inferioridade arraigados no seu interior. Os seus familiares rapidamente começariam a fazer cobranças e exigências.Nós também precisamos de cura em muitas áreas de nossa vida. E como aquele homem, nós convivemos durante tanto tempo com nossas dificuldades e com nossas debilidades que elas passam a fazer de nossa rotina e da nossa identidade. Queremos a cura, mas os desafios que certamente sobrevirão nos assustam. E sem perceber, preferimos permanecer no terreno que conhecemos e onde estamos acostumados.
Ao abraçar a sobriedade, o Dependente Químico enfrenta enormes desafios. Precisa modificar antigos hábitos. Precisa se reintegrar ao convívio da família e da Sociedade. Precisa mudar a maneira de se vestir, a maneira de andar, a maneira de falar e, sobretudo, a maneira de pensar. E muitas vezes esses desafios se apresentam grandes demais, pesados demais e assustadores demais. E infelizmente muitos abrem mão da cura.
"Levante! Pegue sua cama e ande!"
Muitos porém, como aquele paralítico, respondem afirmativamente! "Sim! Eu quero ser curado! Basta que me dê a oportunidade!". E então ocorre o milagre! Sutilmente, Jesus derrubou por terra o conceito impessoal e desumano de "meritocracia" e ofereceu àquele homem aquilo que lhe vinha sendo negado, apesar do seu esforço e do seu desejo. Ele não precisou correr mais rápido do que o cego ou o surdo. Jesus o curou! A Ele toda a glória!


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